terça-feira, 6 de março de 2012

«Portugal no bom caminho»

O Prémio Nobel das Ciências Económicas, Robert Mundell, acredita que o euro está melhor do que nunca e que Portugal vai sair da crise económica sem que seja arrastado para o abismo pela Grécia. Na Universidade de Macau sugeriu ontem que a recuperação do sistema monetário internacional deve passar pela estabilização da taxa de câmbio, entre o dólar americano e a «moeda única», seguindo-se depois o yuan. Já quanto à RAEM – acrescentou o «pai do euro» – «é preciso apostar na diversificação económica».

«SE PORTUGAL passar por uma recessão económica, a situação orçamental vai piorar durante algum tempo; mas, no final, irá sair da crise e tudo ficará resolvido».
Esta afirmação do Prémio Nobel das Ciências Económicas de 1999 surgiu após a pergunta feita pel’O CLARIM, durante o encontro mantido ontem com a Imprensa, na Universidade de Macau (UM): «Como vê a situação de Portugal, apesar da austeridade que existe pelo país inteiro?».
O optimismo manifestado por Robert Mundell relacionou-se com o facto do Ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, lhe ter recentemente dito que tem «mais confiança na recuperação económica de Portugal; mas nem tanto da Grécia, que não mantém os compromissos». Contudo, Robert Mundell não acredita que os gregos possam sair da zona euro e criar uma outra moeda.
Aliás, o também docente de economia da Universidade de Columbia, em Nova Iorque (EUA), sustentou que a situação da Grécia é diferente da que se vive em Portugal, e os mercados já aceitaram esse facto. «Há suficientes paredes de protecção, que previnem o aparecimento de alguma crise internacional de monta, por causa de um claro incumprimento grego».
No entender deste canadiano, a «moeda única» está melhor do que nunca: «O euro comemorou o décimo aniversário em 2009-10. No geral foi declarado um grande sucesso, devido ao facto do euro estar agora em melhor forma, do que quando começou. Desde 2002, tem ficado consistentemente acima do preço inicial de 1.18 dólar americano».
Robert Mundell, discursando perante uma plateia que lotou por completo o Centro Cultural da UM, estabeleceu uma interessante relação entre o momento actual da zona euro e a revolução social europeia. «Nas três décadas, entre 1960 e 1990, a Europa passou por uma profunda revolução social. A maior parte dos países desviou-se para a democracia social; implementou-se o Estado Social, com pensões, cuidados de saúde, subsídios de desemprego e estabilidade no trabalho», disse, durante o seminário «O Dilema da Dívida Europeia e o seu impacto na Ásia de Este e na Economia Mundial».
É, pois, um dado para si adquirido que a revolução social afectou, em certa medida, todos os países. Contudo, – segundo disse – as maiores mudanças verificaram-se no sul da Europa, mais concretamente, na Grécia, em Portugal, em Espanha e em Itália, ou seja, nos mesmos países que estão agora a braços com a crise da dívida soberana.
A solução que apresentou terá de passar pela estabilização das taxas de câmbio: «Com grandes oscilações do câmbio, entre o dólar americano e o euro, não é possível haver um verdadeiro sistema monetário internacional à escala global. A minha proposta de reforma passa pela estabilização do câmbio, entre o dólar e o euro; incluindo, depois, o yuan (chinês), assim que se tornar convertível».
Ainda segundo o Nobel da Economia: «Depois desta correcção das taxas cambiais, não há razão para que a libra esterlina [do Reino Unido] fique de fora do euro. A justificação até agora apresentada [para a não aderência] prende-se com as oscilações cambiais, entre o euro e o dólar».
 
PEDRO DANIEL OLIVEIRA - O Clarim • http://www.oclarim.com.mo

sexta-feira, 2 de março de 2012

Monumento Nacional das Sete Fontes é um diamante em bruto


    No passado fim-de-semana, tive a oportunidade já há muito esperada de conhecer o monumento das Sete Fontes em toda a sua dimensão, visto que, foi a primeira vez que percorri as suas galerias subterrâneas e observei o percurso hídrico, que é a razão da sua existência.
       Acompanhado por dezenas de pessoas que aderiram a iniciativa da Associação JovemCoop, divulgada pelos meios de informação no âmbito da Capital Europeia da Juventude, pude verificar que, as diversas conclusões derivadas dessa magnífica experiência expressadas publicamente no local, eram muito semelhantes entre os participantes, apesar do contraste em que elas se formaram. De início, pelo encanto do lugar, sentimo-nos arrebatados pelo génio humano na criação da obra, e sobretudo, pela sua finalidade e grandiosidade de engenharia e beleza arquitetónica, muito relevante no período em que foi concebida; mas também pela natureza envolvente e riqueza de recursos hídricos (a água desperta em nós sentimentos muito profundos). Mas depois, sentimo-nos incrédulos, indignados, por constatar que tamanha riqueza foi negligenciada durante os últimos anos, e já esteve inclusive, posta em causa a sua existência perante a especulação imobiliária desenfreada em períodos de oportunismo e políticas de desenvolvimento urbanístico extremamente intransigentes e contraditórios.
        Ao contrário do que muitos pensam, o progresso deve ser bem medido e portanto, é relativo. A falta de bom senso é tão grande, que foram construídos prédios em cima de nascentes aquíferas que abasteciam o sistema e muros que enforcaram parte do património, além de uma estrada que pôs em risco a visita a uma parte das galerias. Os acessos à superfície são precários e passam despercebidos. Em síntese, os bracarenses não estão a usufruir dos recursos que esse local pode proporcionar-lhes, seja o seu bem vital, seja o seu espaço lúdico e monumental. E no entanto, permanece digno de se ver.
       O monumento nacional das Sete Fontes é um diamante em bruto, pronto para ser lapidado e tornar-se num grande parque para usufruto da população e ponto turístico de Braga. Enquanto a administração política da cidade enterra milhões de euros em obras que apodrecem a céu aberto, e discute com a oposição aquisições que irão configurar mais despesas para Câmara – e portanto, para o contribuinte –, a cidade está a perder a sua identidade e os seus valiosos recursos. A população ficará cada vez mais limitada a viver em grandes caixotes de betão que orbitam grandes centros comerciais e parques de estacionamento privados que se estendem por uma cidade cujo horizonte, fica a cada dia, sem o verde das suas árvores.

Renato Córdoba
cronicas.up@gmail.com

O actual momento político


Atormentado com tantas medidas de austeridade, o cidadão comum presta cada vez menor atenção aos problemas políticos do país, daí que, por tanto ouvir matracar na palavra, já sente que ela (a austeridade) faz parte integrante do seu dia-a-dia. Assim, substituindo-a pelo carnaval e o futebol, a generalidade do chamado povo, ainda não se apercebeu da gravidade da situação, e apenas sabe que a Grécia está pior que nós, pois os políticos medíocres que temos, encontram sempre uma forma de camuflar a realidade.
         Entretanto os responsáveis pela governação do país vão dando tiros nos pés, e alguns inclusive, vão dando mesmo “rajadas de metralhadoras”! Será que temos verdadeira oposição? – Confesso sinceramente que tenho sérias dúvidas pois, fazendo uma análise, chego à conclusão do seguinte:
1)    O Partido Socialista, principal responsável por substancial parte da situação económica actual, está especializado em oferecer ao país, doses espectaculares de demagogia, quando se deveria penitenciar pelos pecados cometidos;
2)    Todos compreendem a razão porque António José Seguro não deseja falar do passado, pois é óbvio que o passado não é brilhante, e portanto, não lhe convém. Daí Seguro não estar seguro daquilo que afirma, pois vender doses de demagogia, é fácil, é barato, mas não dá milhões.
3)    Sobre os restantes partidos chamados de esquerda: BE e PCP, sabendo que, pela via normal, nunca chegarão ao poder, limitam a sua actuação em agitar as massas que levam a manifestações nas ruas e greves. Seguem a política do quanto pior, melhor. Esquecem porém que, muitas doses dessa “fórmula anti-austeridade” pode matar o doente, pois não será com greves que o país se levanta.
É neste quadro negativo que a política se desenvolve, daí ser necessário pensar seriamente em dignificar Portugal, porque honra e palavra não têm preço. Todos (mas todos) fazemos parte integrante, e portanto, estamos no mesmo barco. Acredito no meu país, que deu novos mundos ao mundo. É preciso garantirmos que a grandeza desta pátria perdure, para o bem das gerações futuras!

António Fernandes Ferreira

INTERNET Vs. PRIVACIDADE


Seria mesmo correcto dizer que a internet invade a nossa privacidade? Somos todos os dias invadidos, bisbilhotados, vasculhados de frente para trás, sim acontece, mas calma lá, somos vasculhados por que deixamos rastos… As informações são colocadas por nós mesmos, achamos bonito e até mesmo faz-nos bem ao ego quando um desconhecido nos pede para ser adicionado como nosso amigo, contabilizamos amigos para mostrarmos que somos populares, mesmo sem conhecer o suposto amigo virtual, mas ele representa mais número, por isso é muito bem vindo. E podemos dizer que somos invadidos?, ou somos nós que abrimos as portas da nossa intimidade, da nossa privacidade para que o mundo entre e veja quem somos, onde estudamos, trabalhos, com quem namoramos, grupos de amigos etc… isso para não falar das mais ousadas fotos e posições que muitas das pessoas têm coragem de colocar em suas páginas, com a ingenuidade de que ninguém, a não ser ela própria, ira ver as imagens picantes tão desejadas por todos os voyeuristas da internet.
Não façamos da internet o monstro invasor, a internet veio para nos ajudar, para dar-nos a possibilidade de descobrir dados mais facilmente, de abrir e expandir nosso horizonte imaginário através de um simples click.
A internet é uma arma magnífica, mas como toda arma, depende de quem vai premir o gatilho, se será utilizada para o bem ou se será instrumento de cusquice e voyeurismo de alguns.
Podemos ser uma verdadeira casa dos segredos, onde todas as nossas atitudes ficam expostas para quem quiser cuscar, mas também podemos ter a consciência de que mostramos aquilo que queremos que outros vejam, por isso, não culpem a internet pela sua invasão, “cuscar” é a sua função, seja em sua página do facebook ou não.

Katia Bernardes
http://katiabernardesfacfil.blogspot.com/ 
 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

"Como envelhecer saudável"

Dr. Lair Ribeiro dá as dicas para envelhecer com saúde, no programa SABOR DE VIDA da REDE APARECIDA
 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Rótulo Falso

O défice de ideias construtivas dos políticos em Portugal é preocupante, sobretudo nos dias que correm, devido aos desafios que todos os portugueses têm pela frente. Esta ausência de criatividade e sentido de orientação começa a revelar-se uma característica que se inicia com o 25 de Abril, e que entretanto, não foi tão evidente ao longo de todos esses anos, devido à euforia de um período alimentado pela ilusão de que o país permaneceria com a sua economia estável, e a má gestão das finanças públicas encontraria sempre uma espécie de compreensão de mãe na figura da União Europeia, cuja fragilidade, também revelou-se uma surpresa para muitos.
Os políticos fizeram reformas insustentáveis, com infra-estruturas colossais, cujos orçamentos, foram sucessivamente reprovados pelo Tribunal de Contas. Mudaram muitas características físicas e culturais do país, com recurso a uma retórica de pseudo-progresso, para criar uma imagem semelhante a alguns aspectos patentes em outros países, numa tentativa de igualar, o que não pode sequer ser comparado.
Portugal tem recursos que foram sucessivamente negligenciados: posição geográfica comercialmente estratégica, com uma vasta costa marítima e arquipélagos bem localizados; clima ameno ao longo de muitos meses; vastas zonas de terreno fértil; mananciais de água de excelente qualidade; gastronomia diversificada e produtos de excelência reconhecida internacionalmente, como o azeite, o vinho e tantos outros. Devemos reconhecer que, estou a citar, apenas os aspectos que saltam à vista num primeiro vislumbre. Certamente, poderíamos enumerar muitos outros aspectos, tais como a qualidade dos têxteis fabricados no país; bons recursos humanos (sobretudo na área da pesquisa tecnológica e na medicina); grande potencial para implementar recursos energéticos renováveis, e por aí adiante… O facto é que, uma síntese como esta, é suficiente para reflectirmos quanto ao verdadeiro potencial do país, e em simultâneo, percebermos que Portugal não é um país tão pequeno como alguns gostam de dizer, quando referenciamos as suas potencialidades, e a sua história.
O actual governo, tem menor margem de manobra para contrariar essa tendência, sobretudo, por se encontrar afogado nas dívidas contraídas em tantos anos de irresponsabilidade. E apesar disso, vai dando sinais de iniciativa, com reformas que vão de encontro à real situação do país. Esta semana, no âmbito da concertação social, propôs uma nova regra que incide directamente no mercado de trabalho, e prevê que os desempregados, poderão aceitar uma oferta de trabalho e acumular parte do subsídio de desemprego com o salário (se este for inferior ao subsídio), num período de um ano. Uma medida que, no passado, outros governos, ignoraram completamente.
Todavia, não posso deixar de assinalar que, apesar de tantos assuntos pendentes e desafios que este governo e os cidadãos enfrentam, alguns sectores da administração pública continuam a perder tempo com questões paralelas sem nenhum sentido. Muitas delas, com slogans que invocam melhorias nos mais diversos âmbitos, tais como na saúde pública. No entanto, os serviços de atendimento nas urgências dos novos e imponentes hospitais, continuam péssimos e mais caros.
Recentemente, o director geral da Saúde, ponderou restringir ainda mais os espaços onde é permitido fumar. Melhor dizendo: praticamente, em lugar nenhum. Por trás de uma suposta preocupação com a saúde pública, questiono-me sobre o seguinte: Onde fica o direito de escolha dos empresários e clientes? Espero bem, que não decidam proibir também o sal e a carne vermelha, ou instaurar a Lei seca… A meu ver, determinados hábitos não afectam terceiros, portanto, apenas quem os pratica (o que também é relativo), desde que haja respeito pelo próximo e regras que mantenham a harmonia dos diferentes costumes, em lugares específicos, para que todos possam escolher onde frequentar. Algo que, na minha opinião, está bem definido actualmente.

Termino por aqui. Vou ascender um cigarro (sem qualquer intenção de fazer apologia), antes que seja considerado um crime! E ficar a pensar: no bem que existe nas diferenças, e nos perigos da arbitrariedade, dos diferentes sistemas governativos ao longo da história, que tentaram sucessivamente rotular os cidadãos, e transformá-los numa massa operária alienada, sem direito a opinião, e impedida de viver com a dignidade de escolher o seu próprio destino.
Renato Córdoba
cronicas.up@gmail.com


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

PAPEL EM BRANCO

Antes de escrever esta crónica, estive algum tempo a visualizar esta página em branco; era apenas um pedaço de papel sem qualquer encanto. Bastaria uma pequena frase, um poema ou um desenho de criança... Poderia vir a ser uma carta de amor para se transformar em algo muito especial. Mas era apenas uma página em branco. Contudo, tinha a sua importância. E eu conhecia o seu grande potencial; poderia se tornar o que eu desejasse, e estava prestes a ser a minha conexão com centenas, talvez milhares de pessoas, que ao passarem os olhos por ela, perceberiam logo a minha intenção.
            Assim também é a vida. Surgimos no mundo e temos toda a vida pela frente para "escrevermos" a nossa história. Começamos com o primeiro passo, as primeiras palavras, as primeiras descobertas, com as experiências dos nossos primeiros conselheiros.
            Mas a vida é muito maior, é um livro de recordações, que conjuga prosa e poesia, ilustrado com imagens de todos os tipos. Cada pessoa tem o seu. Alguns "livros" são grandes, e contam histórias extraordinárias e felizes. Os menores, apesar das poucas páginas escritas, são muitas vezes autênticos contos de fadas.
O importante é que a certo ponto das nossas vidas, possamos cada qual folhear as páginas das nossas vidas e sentirmo-nos orgulhosos; concluirmos que a vida foi uma grande aventura, e ainda sejam muitos os personagens envolvidos, cada livro tem um único autor, que é também o personagem principal.
            Todos os dias a vida nos revela uma nova página em branco ao amanhecer, uma oportunidade de criar uma história mais bonita, mais produtiva; uma verdadeira oportunidade de tornar os sonhos uma realidade.
           
Não deixe nenhuma página em branco para trás, porque enquanto houver vida, haverá sempre uma história por escrever.


Renato Córdoba
cronicas.up@gmail.com

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A Austeridade é uma Ideia Perigosa

Só a justiça justificará os sacrifícios

            Nas últimas eleições legislativas, os portugueses fizeram uma escolha clara que, no meu entender, foi a mais prudente, porque marca o fim de uma fantasia e demonstra que a maioria da população decidiu encarar os desafios inevitáveis que estavam por vir. Desafios que, hoje se revelam mais austeros do que muitos esperavam. Entretanto o governo iniciou o seu trabalho e manteve até agora uma postura de informar e esclarecer a população sobre a real situação em que o país se encontra, e de facto, é uma boa política, excepto pelo facto dessas declarações terem ultrapassado o limite da coerência e transbordado para o campo da desesperança e dos prognósticos apocalípticos que conflituam com as mensagens de coragem e coesão social inicialmente manifestadas. É um contra-senso imensurável da parte do governo pedir esforços e compreensão aos cidadãos e ao mesmo tempo, indicar-lhes a porta de saída do país, porque isto demonstra que os líderes estão a procura do caminho mais fácil (para eles), ou na pior das hipóteses, não acreditam nas suas próprias medidas.
            Obviamente a oposição política saberá explorar estas desastrosas declarações, e isso servirá apenas para preencher a falta de propostas construtivas dos políticos desse país e se transformará em palavras incendiárias nos seus discursos demagógicos. Naturalmente, isso só irá desorientar ainda mais a população e aumentará a instabilidade. Então, o que fazer para manter a confiança dos portugueses?
            Este governo tomou medidas que, para a maioria dos especialistas (incluindo a Troika), eram imprescindíveis para por o país novamente em rota de crescimento económico. E podemos ir mais longe, porque grande parte dos trabalhadores também aceitou a sua carga individual para o benefício colectivo, sobretudo àqueles que nunca tiveram regalias e grandes ordenados. Contudo, continua a faltar justiça na divisão desse enorme esforço. Portanto, caso o governo pretenda evitar uma crise ainda maior carregada de convulsões sociais, terá que tomar medidas que até agora nunca demonstrou intenção de concretizar (e nenhum outro governo), ou seja, mostrar à população que os sacrifícios exigidos serão equitativos, a começar por diminuir os quadros administrativos e cortar os altos salários da função pública e dos gestores de empresas públicas que recebem quantias que são um verdadeiro escândalo para um país com tantos cidadãos em dificuldade; punir severamente a corrupção e exigir responsabilidades de todos os políticos (em função ou não) que prejudicaram o país e utilizaram o dinheiro público para fins que não se comprovem úteis para a população; extinguir empresas públicas para evitar o desvio de fundos e o favorecimento ilícito; cessar o financiamento às instituições que não consigam provar publicamente o seu contributo social; proteger as empresas privadas com notória capacidade de produção e intervir junto das entidades financeiras para evitar o bloqueio de liquidez ou medidas arbitrárias que levem a insolvência; criar um imposto extraordinário para os grandes grupos económicos; renegociar os acordos catastróficos com a União Europeia que fragilizaram a competitividade dos produtos nacionais… Ou seja, encontrar formas de não penalizar somente o cidadão comum e fazer as reformas necessárias para dividir de forma justa o grande desafio que o país enfrenta, através de medidas eficazes para gerar emprego e favorecer a economia. “Mudar”, Sr. Primeiro-ministro! Recorda-se? Para terminar, cito algumas palavras do seu livro: O país precisa, com urgência, de um amplo programa de mudança que nos retire deste estado de descrença e de crise profunda em que vivemos. As reformas a empreender já não são uma opção; são uma necessidade imposta pela realidade. Terá de ser um programa de acção que rompa com o actual cenário de estagnação e de empobrecimento.”- Pedro Passos Coelho.


Renato Córdoba

Análise Política

O FUTURO NÃO SE CONSTRÓI REPETINDO
OS ERROS DO PASSADO
            Segunda-feira dia 28/11/2011 no noticiário das 20 horas da TVI24, tive a desdita de ouvir o economista Medina Carreira que considero o comentador mais honesto em contacto directo com os cidadãos comuns, deste pobre e desgraçado país.
            Certamente ao escrever a palavra desdita utilizei um tema suave pois a revolta no meu sentimento foi elevada ao ponto máximo e face a tudo que ouvi, recordei as palavras de estadista de vulto que um dia afirmou:  “Pobre deste país, se um dia chega a ser governado por estes políticos!”
            Apresentando dados insuspeitos elaborados com realismo que não deixam dúvidas, ele justificou a situação actual da economia portuguesa que atribuiu aos governantes que nos desgovernaram nos últimos 10 anos, ou seja, o partido socialista useiro e vezeiro em praticar danos reversíveis, sempre que chega ao poder… Utilizando linguagem que na gíria popular designarei “ sem papas na língua”ele afirmou convicto que, tais políticos, deviam ser incriminados judicialmente;  eu por minha conta e risco acrescentarei: sejam eles de que partido forem.
            Porém em Portugal tal nunca acontece nem acontecerá, pois nunca vi nenhum político mexer no seu próprio umbigo, daí que as culpas morrem sempre solteiras (como se diz também em gíria popular)… Assim caminhamos alegremente para a ruína, apesar dos manifestos de última hora dos salvadores denominados “Pais da Pátria”, os quais até aqui estiveram comodamente calados, a usufruir das bonomias vitalícias que escandalosamente lhes são atribuídas; ainda e mais uma vez acrescentarei: Para que servem as fundações que por aí proliferem e quanto custam ao país? Por alguma razão o novo governo Italiano excluiu da governação os políticos, substituindo-os por tecnocratas; por regra os políticos embora digam o contrario, olhem mais para os interesses do partido que para o País real.
            Também quero dedicar uma palavra aos militares e, assim, apenas direi: Os militares essencialmente servem para defender o território nacional e nunca para derrubar governos eleitos por sufrágio directo… Assim se faz em qualquer nação civilizada onde impera uma democracia eleita legalmente pelo chamado povo. Será que também esses “Pais da Pátria” querem cumprir agora, a sigla de meter os reaccionários no Campo Pequeno? A memória não é curta para relembrar que em tempo já distante, o mesmo militar fez tal ameaça… por tal facto estou convicto que no meu país nunca serão 800 militares que farão calar o voto nas urnas e faça prevalecer um golpe militar que apenas resultará numa nova ditadura.
            Com uma oposição afectada pelo vírus da demagogia, e que repetidamente quer dividir o país entre esquerda/direita esquecendo que todos somos portugueses e estamos no mesmo barco… As greves embora sejam um direito alienável dos trabalhadores, nunca neste momento serão solução para os graves problemas que nos afectam, e pelo contrário apenas os fará agravar.
            É evidente que as centrais sindicais cumprem o seu dever em defesa dos seus filiados, contudo falam muito em direitos mas raramente em deveres. Onde está a democracia daqueles que colocam piquetes para evitar que colegas seus possam trabalhar?
            A economia não se compadece com aqueles que gastam mais que aquilo que recebem. Ninguém empresta dinheiro a quem não pode ou não quer pagar… arrumar a casa (leia Portugal) é urgente e necessário; depois sim encetar vida nova onde não serão admissíveis os mesmos erros que nos conduziram a esta catástrofe.

                                                                                        António Fernandes Ferreira

Carta aberta ao Presidente da República

Meu Presidente, com todo o respeito, não acha o Presidente que políticas estritamente orçamentais que não prevêem crescimento económico são um fim em si mesmas e que contrariamente ao que se diz e escreve, resultarão numa total depressão económica, financeira e social? Do que vale termos as contas controladas daqui a um ano se daqui a um ano, por força do atrofio que esta política trará à nossa economia, a austeridade será maior para resolver o problema que vamos criar com esta "solução"? Isto não terá fim! Acredito porém na palavra e na seriedade! Temos que pagar aquilo que nos emprestaram, sem mais! Mas eu pergunto, não deveria servir isso para resolvermos um problema? Eis o que nos dizem: Para conseguirmos normalizar os juros da nossa divida temos que recuperar a nossa credibilidade. Esta recuperação passa por cumprirmos escrupulosamente o acordo com a Troika. Entretanto, e mais uma vez, a nossa República é "deitada ao lixo" por "alguém" que nada mais quer do que fragilizar o Euro como forma de valorizar o Dólar... O que queremos afinal? Em primeiro lugar, a Europa é o quê? É um desejo comum de todos os cidadãos europeus? Então meus caros, "quando há amor, há casamento"! Avancemos para a Federalização dos estados europeus e façamos do BCE o nosso escudo protector! A Europa precisa de um plano de crescimento económico integrado! Portugal será o país do bom clima, dos congressos, do serviço de excelência, das novas tecnologias, da segurança, das boas praticas ecológicas, do civismo... do golf e das férias, da boa formação, da saúde... Portugal será o exemplo do destino perfeito! Se não conseguimos exportar produtos e aqueles que exportamos são, em grande parte, dependentes de importação de matérias-primas (Petrogal) então importaremos capital! Turistas, congressistas, estudantes, artistas, políticos, executivos, curiosos, reformados, recém-casados TODOS! Façam uma sondagem às empresas que estariam dispostas a integrar este plano e que estariam dispostas a investir por exemplo num novo aeroporto e numa campanha de comunicação, realmente integrada que funcione em todos os sectores de actividade e que una as empresas para um objectivo comum, TORNAR PORTUGAL NO DESTINO PERFEITO! Certamente teríamos um novo aeroporto (que tanto precisamos) totalmente financiado por privados e que representa certamente um investimento com sucesso garantido! O melhor que Portugal tem é exactamente o que muitos quiseram esquecer! Pagaremos a nossa divida com orgulho mas queremos estar certos de que isso servirá para resolver o nosso problema! A sociedade precisa renascer! Assim não vamos lá! Nós somos os "heróis do mar" o "nobre povo", somos inteligentes e criativos! Vamos trabalhar, vamos sonhar, vamos acordar deste sono... Senhor Presidente, precisamos da sua ajuda!
Diogo Lima